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Sao Paulo,19 de novembro de 2009
Culinária, artesanato e praias levam a Los Cabos
No sul da península da Baixa Califórnia, Cabo San Lucas e San José del Cabo fogem ao clássico estereótipo mexicano. Por ali, não há mariachis e é difícil encontrar sombreiros mesmo em lojas de suvenires.
Localizadas a cerca de 200 quilômetros de La Paz, capital do Estado da Baixa Califórnia Sul, as cidades conhecidas como Los Cabos têm forte influência norte-americana. Cabo San Lucas, na divisa entre o mar de Cortés e o oceano Pacífico, recebe mensalmente cerca de 70 cruzeiros de várias partes do mundo e tem uma movimentada vida noturna. Da cidade até San José del Cabo se forma um corredor de 33 quilômetros, onde estão hotéis de luxo e campos de golfe de alta qualidade.
Um destino ideal para milionários e celebridades, mas também para os surfistas que aproveitam as boas ondas do Pacífico em "summer camps", alojamentos bem simples perto da rodovia Transpeninsular, praticamente à beira-mar. Do lado do Pacífico da península fica a cidade de Todos Santos, conhecida por suas lojas de artesanato e cerâmicas e pelos ateliês - há décadas a cidade se tornou uma espécie de reduto de artistas. Ali também estão as melhores praias para pegar onda. Embora tenham personalidades muito distintas, as três cidades compartilham muitas riquezas naturais e culturais.
Como o mar de Cortés, que banha o Golfo do México e é chamado de "aquário do mundo", por sua diversidade de peixes, aves e mamíferos. O sul da Baixa Califórnia também tem boas opções de alta gastronomia e passeios.
Fauna variada faz do mar de Cortés "aquário mundial"
O azul do mar de Cortés contrasta com os gigantescos cactos que margeiam a rodovia Transpeninsular, principal meio de ligação entre as cidades de Los Cabos.
Na região de clima desértico, a temporada de chuvas em geral se resume aos meses próximos a agosto. Fora desse período, a região costuma ter um constante céu azul.
A aridez da vegetação desértica empurra boa parte da vida de Los Cabos para a costa. Estima-se que cerca de 6.000 espécies componham a fauna do mar de Cortés, batizado de "aquário do mundo" por sua rica biodiversidade.
A região da Baixa Califórnia Sul, banhada pelo mar de Cortés, por exemplo, é conhecida por ser berço de marlins.
Mas, além deles, mais de 800 espécies de peixes habitam as águas do golfo da Califórnia. A abundância atrai pescadores e, por isso, é comum ver barcos pescando camarões à noite.
Dados do Fonatur (Fondo Nacional de Fomento al Turismo - www.fonatur.gob.mx/mar-de-cortes/fst- gral.htm ), órgão de turismo mexicano, apontam também a existência de 181 espécies de aves e de 34 mamíferos marinhos.
A observação de baleias - azul, cinza, boreal, entre diversas outras- também é um dos grandes atrativos do mar.
San José del Cabo reúne modernidade e tradição
Em referência a seu rico passado histórico, San José del Cabo costuma ser apontada como a capital cultural de Los Cabos. Colonizada por espanhóis e ponto estratégico durante a guerra entre México e Estados Unidos, no século 19, a cidade é, hoje, uma das mais modernas e urbanizadas da região.
Nela é possível encontrar grandes redes de supermercado e restaurantes de fast food norte-americanos que às vezes fazem o turista se sentir num pedacinho dos Estados Unidos.
Mas deixe de lado as referências estadunidenses e siga para o centro histórico da cidade. Erguido em 1730 em torno da igreja de San José del Cabo, ele concentra boa parte do charme e do comércio locais.
Nas calçadas do bulevar Antonio Mijares estão as principais lojas de artesanato, cerâmica e produtos locais.
Quem quiser investir em um programa cultural pode visitar a Casa de la Cultura, onde há apresentações de dança.
Outro atrativo da cidade é o estuário de San José, que tem mais de 150 espécies de pássaros e exemplares da flora.
Proporcional à biodiversidade local é a variedade de restaurantes da cidade. Há desde grandes redes, como a Applebee's, até lugares com muito da personalidade regional.
Nessa categoria se enquadra o La Panga ( www.lapanga.com ), um restaurante de "comida mexicana contemporânea" que investe em pratos com peixe. O cardápio é variado, e a decoração, aconchegante e intimista.
Em Cabo San Lucas, belezas naturais atraem cruzeiros
À primeira vista, Cabo San Lucas é um tanto decepcionante. Já na entrada da cidade, a enferrujada e antiga arena de touradas La Sanluqueña parece anunciar que não se pode esperar muito dali.
A concentração de lojas de suvenires de gosto duvidoso e de restaurantes do centro realmente não contribuem para mudar a primeira impressão.
Mas não desanime. O grande atrativo da cidade está na marina Cabo San Lucas, emoldurada pelo condomínio Pedregal.
Por ali chegam cerca de 70 cruzeiros por mês. Dezenas de pequenas embarcações ficam em píeres e, pertinho delas, dá para ver os navios ancorados.
Não há quem não se intrigue ao ver transatlânticos gigantescos tão próximos da costa. A explicação para isso está na boca de qualquer nativo.
O assoalho oceânico da região é muito irregular e tem repentinas alterações de profundidade. A parte mais clara das águas, onde ficam as embarcações menores, bruscamente atinge mais de 2.000 metros - profundidade suficiente para os transatlânticos.
Vale a pena observar os contrastes de cor das águas claras e escuras do mar de Cortés, numa das ruas elevadas que ficam na lateral da marina.
Não é preciso pagar para circular por ali e, por isso, o lugar costuma ser muito movimentado. Há bares que tocam funk, shoppings que vendem suvenires caros e até uma barraca onde é possível tirar uma foto abraçando animais selvagens. Detalhe: não há animais exóticos, e o retrato é, na verdade, uma simples montagem feita com programas de manipulação de imagens.
Nos píeres, há diversos barcos que oferecem passeios a preços variados (os valores giram em torno de US$ 1.000 e podem ser divididos pelos vários visitantes que usarão os barcos ou lanchas).
Se tiver paciência e tempo, dê uma volta por ali e converse com os barqueiros antes de fechar o passeio. Vale a pena negociar um preço melhor.
Da marina, os barcos partem em direção às formações rochosas que ficam na ponta da península da Baixa Califórnia -- e não raro passam pertinho dos transatlânticos.
Imensas e esbranquiçadas, as rochas parecem que foram tiradas de algum lugar desértico e colocadas ali por engano. O contraste entre elas e o azul do mar faz com que o visitante se sinta em outro planeta.
Leões marinhos e focas se fundem às rochas mais escuras e é difícil perceber de imediato que eles estão deitados por ali. No topo das pedras, há ninhos de enormes pelicanos. As aves, a propósito, estão por toda parte nessa região.
A playa del Amor, que fica entre duas das formações rochosas, é parada obrigatória. Dizem os locais que, por questões de maré, ela só pode ser vista e visitada de quatro em quatro anos. Se tiver a oportunidade, não deixe de passear pela areia amarelada e observar de perto as rochas. A cada novo ângulo é possível perceber nuances diferentes de cor.
Ao lado da praia, está El Arco, uma pedra vazada que "marca" o encontro das águas do mar de Cortés e do oceano Pacífico.
Dependendo do passeio, o barco pode parar nas praias de El Médano, a mais concorrida, com barracas, ou Acapulquito, que dista 28 km da estrada de San José del Cabo e é conhecido por suas ondas fortes.
Há também a praia de Santa Maria, com água calmas e transparentes, a pouco mais de 40 minutos da marina. Peça para parar o barco perto da praia e dê um mergulho.
Dá para ver o fundo do mar e sentir o desnível do oceano. Mesmo pertinho da areia você não consegue encostar os pés no chão. Nas águas tranquilas também é possível mergulhar de snorkel e observar cardumes passageiros.
Sem barracas ou ambulantes, a praia de areia amarelada e grossa - com pedrinhas trituradas- é praticamente deserta. Só os pelicanos, que mergulham de cabeça na águas para capturar peixes, é que quebram o sossego do lugar.
Diversão noturna
A mesma tranquilidade não se estende à vida noturna de Cabo San Lucas, uma das mais movimentadas da região.
Entre diversas opções de bares locais, El Skid Roe, um misto de restaurante e casa noturna, é o lugar certo para os visitantes que procuram paquera e agito. Com seu público jovem, costuma estar sempre lotado.
Há também uma filial do Hard Rock Cafe, que se destaca entre os pequenos estabelecimentos do local, e complementa a farra noturna da cidade.
Para saber sobre o movimento e a frequência das casas noturnas ou bares locais, converse com os moradores. Eles têm as melhores dicas.
Folha de S.Paulo, 19/11/2009

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