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Sao Paulo,23 de novembro de 2009

Itaipú: uma usina e um ícone do turismo

A hidroelétrica de Itaipu é uma gigantesca obra de engenharia que além de produzir energia elétrica constitui um dos principais atrativos turísticos da tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai.

A maior hidroelétrica do mundo em funcionamento é uma represa de oito quilômetros de comprimento e quase 200 metros de altura situada próximo das famosas cataratas do Iguaçu.

Para se ter uma ideia da magnitude da obra, no auge da construção havia mais de 40 mil operários no canteiro. Outros números também impressionam, o concreto utilizado poderia construir 210 estádios como o Maracanã e o aço seria suficiente para erguer 380 torres Eiffel.

Considerada pela Sociedade Americana de Engenharia uma das "sete maravilhas do mundo moderno", Itaipu tem capacidade para gerar energia para 20 cidades de 2,5 milhões de habitantes.

Ao Paraguai corresponde a metade da energia produzida, mas não consome mais de 10% do total para abastecer mais de 90% de sua população, por isso que revende "a preço de custo" o restante para o Brasil, país que a utiliza para completar 20% de sua demanda.

Inspirada em uma catedral, a construção de Itaipu ocorreu a partir de um tratado em 1973 e dispõe de sua própria catarata artificial, já que a partir da estrutura conhecida como "o vertedouro" caem milhões de metros cúbicos de água por segundo, volume 40 vezes superior à média das cataratas do Iguaçu.

Essa espetacular queda, que na realidade serve para regular o Rio Paraná em seu caminho em direção a Argentina, se transformou em um autêntico ícone turístico, um cartão postal que já atraiu mais de 15 milhões de turistas.

Alberto de Araújo, um dos três supervisores que o Brasil tem na "sala de escritório de carga", a autêntica "torre de controle" da central, explicou à Agência Efe como a partir dali regula a saída de água e a geração de energia "em tempo real".

"Aqui dizemos que temos as costas mais famosas do Brasil", diz Araújo referindo-se à sala na qual trabalha, em frente a um grande painel com indecifráveis informações, mas que foi muitas vezes filmado e fotografado pelos meios de comunicação.

Sobre as gigantescas turbinas encarregadas de gerar energia elétrica, a sala não para de vibrar, quase como se circulasse por trilhos de um trem embora "normalmente seja muito pior", afirmou Araújo.

Na "torre de controle", sem janelas, permanecem um engenheiro brasileiro e outro paraguaio, 24 horas por dia, 365 dias do ano, cada um de seu lado da fronteira, que divide a instalação pela metade em uma quase obsessiva simetria.

De um lado e de outro do leito do rio, Brasil e Paraguai têm o mesmo número de trabalhadores, o mesmo número de vagas de estacionamento, o mesmo número de geradores de energia, como se ambas as asas estivessem separadas por um espelho.

Apesar de tanto rigor no equilíbrio, no entanto, uma questão mais política, a separação não passa de uma linha imaginária, já que em Itaipu trabalham em harmonia brasileiros e paraguaios funcionários da mesma empresa binacional.

Até a central, situada a poucos quilômetros das cidades de Foz do Iguaçu (Brasil), Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina), se aproximam diariamente 1,5 mil turistas, número que pode dobrar nos finais de semana que emendam com feriados.

Todos chegam atraídos pelas espetaculares paisagens que oferece a obra, onde um dos principais atrativos é um passeio em um catamarã pelo lago formado pela represa.

No entanto, o evento forte ocorre às sextas-feiras e aos sábados à noite quando a enorme barreira aproveita uma parte da energia que cria para iluminar-se. É tanta que seria suficiente para iluminar uma cidade de 15 mil habitantes.

O espetáculo começa de repente, do meio da escuridão, e vem acompanhado de uma composição musical criada especialmente para a apresentação.

Da Ag. EFE

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