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Sao Paulo,23 de julho de 2010

Sucre: colinial e libertária, cidade é um dos destinos que mais preservam a história da bolívia

Sucre, Bolívia: 280 mil habitantes, 2.750 metros de altitude, 472 anos de história. A exatidão dos números explica muito, mas descreve pouco. A Cidade Branca, como é carinhosamente chamada por seus moradores, constitui, talvez, uma das experiências mais intensas que o turista pode ter na terra de Evo Morales.

A paisagem é única: casarões que, apesar da fachada austera, escondem pátios espaçosos, decorados por fontes e imponentes colunas. Praças onde estátuas de heróis da pátria, em pose de desmedida soberba, dividem a paisagem com mulheres indígenas de saias coloridas e longas tranças. E igrejas cuja estrutura, com seus relógios a apontar o andar vagaroso de mais um novo dia, conseguem transportar o visitante a longínquos séculos passados.

Sucre é assim: coloca as pessoas frente a frente com o tempo. A história, na cidade, é confrontada a cada esquina. E dá a Bolívia, país (merecidamente) considerado exótico por todo o tipo de forasteiro, novas dimensões: a de uma nação que, não obstante os erros e derrotas, sempre quis trilhar seu próprio caminho.


A cidade é aclamada como um dos berços da liberdade latino-americana: foi o lugar do surgimento, no começo do século 19, de grupos políticos que, aproveitando o caos causado pela deposição, por Napoleão Bonaparte, da monarquia espanhola, começaram a clamar pela emancipação das colônias na América. Eles teriam sido os precursores dos movimentos que lutariam, de forma exitosa, pela independência do continente nos anos seguintes.

Com a Espanha fora de jogo, Sucre seria palco de outro evento crucial para os rumos da região: a assinatura da ata que criou, em agosto de 1825, a nação chamada Bolívia. Alçada à condição de capital do país, e batizada em homenagem ao marechal Antonio José de Sucre (companheiro de Simón Bolívar e um dos principais heróis da campanha de independência), a cidade abrigaria o gabinete presidencial até o fim do século 19 - quando, por razões estratégicas, e sob o peso de uma guerra civil, a sede do poder foi transferida a La Paz.

A trajetória de Sucre sempre deu voltas. Orgulhosa de sua história libertária, a cidade é, também, um dos mais lindos exemplos de urbe colonial na América do Sul. Fundada pelos espanhóis em 1538, a então vila de La Plata (como foi inicialmente batizada) ganhou importância quando, nos anos 1540, descobriu-se uma quantidade absurda de prata em terras vizinhas (o futuro município de Potosí).

Ato contínuo, as autoridades espanholas instalaram na vila a Real Audiencia de Charcas, uma das mais importantes instituições jurídicas do continente. Prestigiados centros de ensino e a presença maciça da igreja viriam a reboque. E Sucre tomaria a forma de joia cuidadosamente lapidada que preserva até hoje.

Embora não detenha mais a honra (ou o ônus, a depender o ponto de vista) de abrigar os poderes executivo e legislativo do país, o município ainda é a capital constitucional da nação e abriga órgãos como a Corte Suprema de Justiça. Também foi eleito, pela Unesco, em 1991, Patrimônio Cultural da Humanidade. Uma caminhada por suas ruas, vielas e parques não será apenas um passeio por uma das mais impressionantes cidades da América do Sul, mas um profundo mergulho na história boliviana.

INFORMAÇÕES E SERVIÇOS

Site do país – www.bolivia.gob.bo

Site da prefeitura de Sucre – www.sucre.gob.bo

Idioma – Castelhano (há também outros 36 idiomas – falados pelas comunidades indígenas do país - considerados oficiais na Bolívia. Entre eles destacam-se o aimará, o guarani e o quíchua – este com uso corrente na região de Sucre).

Fuso horário – Uma hora a menos em relação a Brasília (durante o horário de verão, são duas horas a menos).

DDI – O código da Bolívia é 591

Código de acesso de Sucre - 4

Polícia Turística em Sucre – Calle Dalence, 4 – Centro Histórico, tel. 591 (4) 648-0467

Hospital de Emergências - Calle Ayacucho – Centro Histórico, tel. 591 (4) 645-1900

Consulado do Brasil - Calle Arenales, 212 – Centro Histórico, tel. 591 (4) 642-5661 www.brasil.org.bo

Correio – Esquina da calle Junín com a calle Ayacucho, a duas quadras da Plaza 25 de Mayo.

Internet – Há lan houses espalhadas por toda a cidade, concentradas principalmente nos arredores da Plaza 25 de Mayo. Apesar de a conexão não ser das melhores, os preços são: uma hora de internet custa em torno de 3 pesos bolivianos (cerca de R$ 0,75).

Horários – Boa parte do comércio de Sucre funciona entre as 9h e as 19h, com pausa entre as 12h e as 14h para o almoço e a famosa siesta (diariamente praticada pelos despreocupados habitantes da cidade). Os bancos, por sua vez, operam das 9h às 16h, enquanto o correio funciona das 9h às 20h.

Gorjeta – Se o serviço foi bom, costuma-se deixar ao garçom entre 5% e 10% do valor da refeição.

Energia elétrica – 220 volts.

Visto e documentos – Turistas brasileiros não precisam de visto para entrar na Bolívia e, com o carimbo recebido no aeroporto ou na fronteira, podem ficar no país por até 90 dias. É necessário, porém, tomar a vacina de febre amarela pelo menos 10 dias antes da viagem.

Moeda – Peso boliviano .

Folha SP, 23.07.2010


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