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Sao Paulo, 13 de outubro de 2009

Para curtir a Europa de trem

Na última década, a malha ferroviária europeia modernizou-se a ponto de toda a Europa Ocidental hoje estar costurada por trilhos de alta velocidade. Até no aspecto interno, os trens de hoje mais parecem aviões. Nem sempre, contudo, o trem é um substituto perfeito para o avião. Veja como tirar melhor proveito do meio de transporte mais europeu que existe.

 

TRILHOS A JATO - Velozes e confortáveis, os trens mais modernos levam vantagem sobre os aviões em viagens de até quatro horas


ATÉ 4 HORAS: VÁ DE TREM
As estações centrais poupam os périplos de ida e volta ao aeroporto. A inexistência de check-in permite que você chegue na hora (o único trem com check-in é o Eurostar entre Paris e Londres). A possibilidade de atraso é remota. E como você não precisa esperar pelas bagagens, já sai do trem direto para o metrô ou o táxi. Por tudo isso, uma viagem de quatro horas de trem leva o mesmo tempo que um voo de uma hora. Confira a duração das viagens em toda a Europa no site da ferrovia alemã: bahn.de/international.

MAIS DE 6 HORAS? AVIÃO
Viagens longas de trem são tão maçantes quanto viagens longas de avião - sobretudo nos trilhos lentos do Leste. Não superestime o fator paisagem: com exceção de trechos verdadeiramente cinematográficos, não há muito o que ver. As ferrovias de alta velocidade, então, são tão sem-graça quanto as autoestradas. Evite o trem entre Portugal e Espanha, entre Espanha e França e entre França e Itália (a menos que a rota seja diurna e cruze a Suíça).

DURMA NO HOTEL
Não caia na tentação de economizar tempo e dinheiro fazendo viagens noturnas. Sai caro: o suplemento para uma couchette (beliche) no vagão-leito custa entre € 20 e € 30 por pessoa. Dormir é difícil: o trem sacoleja e há movimento a cada parada. Você deita preocupado com a bagagem, que passa a noite longe da sua visão, no corredor. E para culminar, chega ao destino cedo demais, com o comércio fechado e provavelmente sem acesso ao seu novo quarto até a hora do almoço. Vai por mim: só faça do trem um hotel em último caso.

PASSES: FAÇA AS CONTAS
Quando você evita viagens longas ou noturnas, os passes multipaíses perdem boa parte do apelo. Na ponta do lápis, passagens avulsas saem mais em conta. As vantagens que os passes oferecem são a flexibilidade (você pode decidir o roteiro pelo caminho) e o conforto (você viaja na primeira classe). Lembre-se, porém, de que é necessário fazer reservas nas estações (e pagar suplementos) para todos os trens rápidos.

COMPRE TRECHO A TRECHO
O melhor jeito de comprar passagens avulsas na Europa Ocidental é pela internet. Com dois a três meses de antecedência você consegue as tarifas promocionais, que batem qualquer passe ou empresa aérea low-cost. Use o site da ferrovia do país onde se inicia o trecho, que dá certo. A Bahn alemã (www.bahn.de/international) entrega os tíquetes pelo correio, no Brasil. A Renfe espanhola (www.renfe.com) e a Trenitalia (www.trenitalia.com) permitem que você imprima o bilhete em casa. A SNCF francesa (www.voyages-sncf.com), a SBB suíça (www.sbb.ch/en) e a Raileurope britânica (www.raileurope.co.uk, para passagens do Eurostar com origem em Londres) permitem que você retire os bilhetes nas estações, com o cartão de crédito usado na compra. Também é possível comprar no site em português da Raileurope (www.raileurope.com.br) e receber as passagens em casa - mas há uma sobretaxa de R$ 44 por trecho (e algumas tarifas promocionais não aparecem).

PEGUE LEVE NA BAGAGEM
Viaje com uma mala de quatro rodinhas, de tamanho médio (65 cm de altura), e nem os eventuais lances de escada do metrô conseguirão deter você em seu périplo europeu.

INTERNET PARA VIAGEM | www.carolwieser.wordpress.com
Esta designer catarinense morou na Austrália e viajou pela Ásia antes de se mudar para Curitiba. Seu blog traz dicas para viajar pelo Sul e para exóticos como a Ilha Maurício e Koh Phi Phi. A viagem mais recente, ao arquipélago venezuelano de Los Roques, rendeu uma série de posts indispensável para quem planeja ir para lá.

DOSSIÊ | Ibis bem localizados

São Paulo

Pioneira da hotelaria econômica, a rede Ibis de vez em quando planta um hotel numa região valorizada. O Ibis Paulista, em plena Avenida Paulista, é o melhor exemplo (diárias desde R$ 169).

 

Vitória
O quarto do Ibis Praia do Canto é igual a todos os outros Ibis onde você já ficou. Mas basta descer e você estará no meio da muvuca dos barzinhos do Triângulo das Bermudas (diárias desde R$ 125).

Salvador
A localização, pertinho da noite animada do Rio Vermelho, é a mesma do chique Pestana e do confortável Mercure (mas as diárias começam em R$ 115).

Curitiba
Escondido atrás de um casarão preservado, o Ibis Batel está encravado num bairro de butiques, shoppings e restaurantes. Se fosse em São Paulo, estaria num lugar como a Alameda Lorena... (diárias desde R$ 109).

Florianópolis
Não há muito o que fazer no pedaço do Centro onde está hotel. No verão, porém, a economia com relação aos hotéis mais caros permite que você alugue um carro (diárias desde R$ 99).

Rio de Janeiro
Dá para ir a pé do aeroporto ao Ibis Santos Dumont (mas não faça isso à noite). No fim de semana é bobagem pagar estacionamento: há vagas em frente (diárias desde R$ 139).

João Pessoa
Novinho, fica longe do centrinho de Tambaú - mas bem posicionado para quem quer explorar as praias do litoral sul (diárias desde R$ 99).

VIAJE NA PERGUNTA

Tenho lido sobre ataques de piratas nas Ilhas Seychelles. É perigoso ir para lá?
Célio, São Paulo

Se você não estiver a bordo de um cruzeiro, de um pesqueiro ou de um cargueiro, não corre risco nenhum. Os alvos dos piratas do Índico são grandes embarcações, longe da costa. O zunzunzum na internet, em casos como esse, acaba afastando turistas - para proveito de outros, que vão acabar aproveitando preços mais baixos. A época mais seca para ir a Seychelles é entre abril e outubro. Em julho e agosto o mar pode ficar encrespado. O mês com mar mais calmo é abril.

Site O Estado de São Paulo

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